sexta-feira, 28 de julho de 2017

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS - PADRE GILBERTO KASPER

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
DÉCIMO-SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM  

Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
Maravilhosos são os vossos testemunhos,
Eis por que meu coração os observa.
Vossa palavra, ao revelar-se, me ilumina,
Ela dá sabedoria aos pequeninos” (cf. Sl 118).


            Refletiremos a Palavra viva do Pai, que é Jesus, do Décimo-Sétimo Domingo do Tempo Comum, que continua a nos falar dos segredos do Reino dos Céus.

            A Palavra de Deus deste domingo leva-nos a encontrar os verdadeiros tesouros do Reino de Deus. Somos convidados a entrar na posse do tesouro escondido, centrando nele o projeto de nossa vida e escolhendo entre coisas novas e velhas.
           
Salomão pede sabedoria para governar e julgar com justiça; Paulo nos diz que Deus convida a todos os seres humanos a fazer parte de sua grande família e Jesus nos ensina que o seu reino deve ser nossa principal preocupação.
           
A sabedoria é necessária aos governantes para bem servirem o povo. É necessário investir com decisão no reino dos céus. Deus, artesão perfeito, fez de nós uma obra-prima.
           
Insisto em diferenciar o sabido do sábio! Sabido é quem possui uma avalanche de informações, sem saber administrá-las. Tais informações podem levar a pessoa ao “oco”, ao “nada”, ao “superficial” e “aparente”. Já o sábio, mesmo sem diploma nenhum, é aquele que acolhe, compreende e vive a sabedoria divina! É exatamente o que o Rei Salomão pede a Deus. Como nosso mundo seria diferente, se deixássemos Deus, nosso Criador, respirar nas entranhas de nossa intimidade. Se deixássemos os dons do Espírito Santo agir em nossas escolhas. Muitas vezes tem-se a impressão de que a pessoa tem a arrogante pretensão de querer ser deus sobre o Criador e até chega a convencer-se de que consegue manipular e “barganhar” o Espírito Santo. Tais pretensões, chamamos de “politicagem daqui e dali”, em instituições familiares, comunitárias, sociais, políticas e nem por último eclesiais, o que naturalmente é  desastroso, quando não pecaminoso.  Mas o que não é Deus cai. Um dia cai e cai feio. O grande convite, portanto, é deixar Deus agir em nós, esvaziando-nos de qualquer ganância prestigiosa e elogiosa. Gosto demais de rezar o terço com o povo simples, que às quatro horas da madrugada, ligado na Rádio Aparecida, retransmitida pela Rádio CMN 750-AM de Ribeirão Preto, reza por tantas necessidades e por tantos que além de não rezarem, ainda os ridicularizam. Esse povo, na minha modesta opinião, é verdadeiramente sábio e não simplesmente sabido.

            Para Deus, os pobres e desprotegidos são seu tesouro. Por este tesouro ele investiu o melhor de si, isto é, seu próprio Filho que se fez pobre com os pobres. Aí está o tesouro da sabedoria de Deus, o segredo de seu Reino, infinitamente mais valioso do que todos os poderes e riquezas deste mundo.
           
Então, qual é o Reino de Deus hoje? Aquilo que queremos ter em nosso poder, aquilo que com tanta insistência agarramos e procuramos segurar? Nossas posses, privilégios de classe, status etc.? Ou não será antes a participação na comunhão fraterna, superar o crescente abismo entre ricos e pobres e transformar as estruturas de nossa sociedade, para que todos possam participar da construção do mundo e da História que Deus nos confia?
           
A verdade é que cada pessoa, mais cedo ou mais tarde, em algum dia, terá, obrigatoriamente, que se desfazer de tudo, até mesmo da vida. É o dia em que vamos morrer. Naquela hora derradeira, faremos a experiência de total pobreza: experiência de não sermos, de fato, donos de nada, nem mesmo da vida. Suprema hora em que todo poder, orgulho, vaidade, apego necessariamente caem por terra. Hora, portanto, da suprema e bem-aventurada chance de, no vazio de nós mesmos, Deus ser tudo em nós.

            Pouco tempo antes do Padre Léo da Canção Nova falecer, encontrei-me com ele no aeroporto de Navegantes (SC). Ele viajava de Brusque e eu de Blumenau para São Paulo. Tive o privilégio de viajar ao lado dele e, o que me marcou profundamente foi a seguinte frase dele:

“Padre Gilberto, antes de adoecer e chegar a este estágio de minha fase terminal da doença, já aguardando o dia de ver Deus face a face, sempre tive muita dó dos pobres. Hoje, fazendo a experiência da enfermidade que me consome tão rapidamente, passo a ter dó dos ricos. Você já imaginou a hora em que tiverem de deixar tudo para trás?”

            Já antes, quando num velório, eu me imaginava confinado naquele pedaço de madeira, pensava como ele. Depois deste encontro com o Pe. Léo ficou ainda mais intensa a reflexão: no dia em que meu nome ecoar na eternidade, não terei como não ir. E irá comigo somente aquilo que fui e, nada do que possuí. O que tive, ficará para trás.
           
Que meu tesouro seja de valores essenciais: amor gratuito, verdade, justiça, liberdade e paz! O resto é apenas resto!...

Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,
Pe. Gilberto Kasper

(

           


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