quarta-feira, 22 de abril de 2020

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO PASCAL - PADRE GILBERTO KASPER


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
TERCEIRO DOMINGO DO TEMPO PASCAL




Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!


Celebrando o Terceiro Domingo do Tempo Pascal, aprendemos que o
 Senhor ressuscitado caminha conosco e nos convida a formar comunhão com ele ao redor do pão da vida. A páscoa de Jesus se realiza nos corações e comunidades que promovem a partilha e criam laços de comunhão e solidariedade. Pedro apresenta o modelo da pregação apostólica e nos diz que Jesus é aquele que nos conduz a Deus. Os discípulos de Emaús reconhecem o Senhor no momento da partilha do pão. O primeiro anúncio da pregação de Pedro foi a ressurreição de Jesus, como predisseram as Escrituras. O Ressuscitado caminha com a comunidade e se revela na partilha da palavra e do pão. Somos migrantes neste mundo, resgatados pelo sangue de Cristo.

A liturgia deste domingo indica o caminho para um verdadeiro encontro com Jesus ressuscitado, presente de modo especial nas Escrituras e no partir o pão. Palavra e Eucaristia correspondem-se tão intimamente que não podem ser compreendidas uma sem a outra: a Palavra de Deus faz-Se carne, sacramentalmente, no evento eucarístico. A Eucaristia abre-nos à inteligência da Sagrada Escritura, como esta, por sua vez, ilumina e explica o Mistério Eucarístico.

Os discípulos reconhecem Jesus ao partir o pão, sinal de sua entrega total por amor. As reuniões das comunidades primitivas, onde a escuta da Palavra tinha um papel importante, culminavam com a fração do pão, a Eucaristia (cf. At 2,42.46). Agradecemos ao Senhor pela possibilidade de reconhecê-lo na palavra, na eucaristua, na comunidade dos irmãos na fé. Com os discípulos de Emaús, insistimos: “Fica conosco, Senhor”, caminha ao nosso lado, para que possamos repartir o pão e acolher todas as pessoas sem discriminação.

Após a morte de Jesus, a comunidade dos discípulos se dispersou por causa das desilusões, das adversidades. A compreensão do mistério pascal de Jesus, na perspectiva do desígnio do Pai: a salvação da humanidade abriu nova esperança de libertação para os discípulos. Assim, o encontro com o Ressuscitado desperta nos discípulos a disposição para reencontrar a comunidade e continuar a missão. Que o Senhor ressuscitado nos conserve reunidos em seu nome, em torno de sua proposta libertadora.

De Jerusalém a Emaús há uma distância de onze quilômetros. É justamente neste caminho que tudo começa. Até aí as coisas estavam ainda obscuras. As notícias da ressurreição corriam de boca em boca, mas até a tardinha daquele domingo, ninguém ainda vira o Ressuscitado, a não ser Maria de Magdala, a quem parecia não ser conferida muita credibilidade. Nem mesmo Pedro e João conseguiam compreender claramente as coisas: constataram, é verdade, o sepulcro vazio, mas o Cristo Ressuscitado só sabiam dos lábios de Maria, que levara a Boa Notícia da Ressurreição! O anúncio poderia ser, quem sabe, resultado das emoções vividas naqueles dias todos. Já no Caminho para Emaús acontece a segunda Missa: Jesus põe-se entre os dois desanimados e dribla os demais. É no desânimo, na desesperança, no cansaço, na desilusão que o Senhor aparece. Celebra caminhando com eles, a Liturgia da Palavra, explicando-lhes novamente as Escrituras, como que uma segunda chamada daquilo que aprenderam no Seminário de Jesus. O coração dos discípulos ardia enquanto Jesus falava. O convite de Emaús é fundamental para a segunda parte da Missa: "Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!" Jesus aceita o convite dos dois discípulos. Jesus sempre aceita nosso convite, quando lhe pedimos: "Fica conosco, Senhor!" Reconhecem-no ao agradecer, abençoar e partilhar o pão: eis a Liturgia Eucarística!

Gosto de pensar que os discípulos, felizes por terem reconhecido e estado com o Senhor, poderiam dar-se por satisfeitos e descansarem do longo trecho entre Jerusalém e Emaús. Geralmente é o que fazemos. Uma vez cumprido o preceito, Jesus comungado em Palavra e Eucaristia voltamos para nossos lares e continuamos quietinhos vivendo nossa vida. Certinha, é bem verdade, mas com Jesus escondido no sacrário de nosso coração. Não foi a atitude dos dois discípulos. Mesmo exaustos, não ficaram de pernas para o ar, descansados em casa, mas voltaram, correndo à Comunidade reunida em Jerusalém, onde houve a exclamação mútua: "Vimos o Senhor. Está vivo. Ressuscitou!" Eis o anúncio que a Igreja espera de cada um de nós. Não guardemos o Senhor Ressuscitado só para nós: anunciemo-lo por onde passarmos, também da porta do Tempo para fora.






Desejando a todos o carinho de nossas orações, com ternura e gratidão, nosso abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper

(Ler At 2,14.22-33; Sl 15(16); 1Pd 1,17-21 e Lc 24,13-35).

Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Abril de 2020, pp. 106-110 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo Pascal (Abril de 2020), pp. 40-45.


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