quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM - PADRE GILBERTO KASPER


COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS

SÉTIMO DOMINGO DO TEMPO COMUM



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
          No Sétimo Domingo do Tempo Comum bendizemos o Senhor bondoso e compassivo, celebrando a Eucaristia, memorial da paixão, morte e ressurreição de Jesus. Nela somos convidados a fazer a experiência do amor misericordioso de Deus e refletir esse amor com nossa vida, superando o espírito de ódio e vingança para darmos lugar ao perdão e à bondade.
          O Primeiro Livro de Samuel nos apresenta Davi que se recusa a eliminar seu adversário, pois reconhece nele o “ungido do Senhor”, ou seja, aquele que recebeu de Deus a missão de governar o povo de Israel. Assim, dá uma demonstração de perdão ao “inimigo político”. Deus quer o ser humano vivo. Da mesma forma, a pessoa também deve querê-lo vivo, ainda que seja seu adversário.
          No “sermão da planície” de Lucas, Jesus nos ensina a viver como seus seguidores. O cristão faz a diferença na vivência do amor até aos inimigos. Jesus nos propõe algo difícil de assumir, mas não impossível. Amar os inimigos significa amar a todos, não apenas os familiares, os amigos e os conterrâneos. Sejamos misericordiosos como “Deus é misericordioso”.
          Paulo continua falando à Comunidade de Corinto a respeito da ressurreição, que deve ser vista como nova criação, pois pertence ao Espírito de Deus. Para mostrar como os mortos ressuscitam, apresenta o confronto entre Adão (um ser vivo) e Cristo (um ser vivificante).
          A grande chave para que possamos compreender toda a dimensão do amor proposto por Jesus está apresentado e visto como uma regra de ouro: “o que vós desejais que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles” (Lc 6,31). Somente quando nos colocamos no lugar do outro, quando nos envolvemos com o nosso próximo, podemos compreender as suas motivações e assim, perdoá-lo, compreendê-lo e acolhê-lo. Este ideal pressupõe uma fé madura no uso da liberdade: ser livre para amar não como eu quero, mas como Deus quer que amemos. Seguindo este critério, a nossa atitude em relação aos outros não pode ser de forma diferente daquela que Cristo viveu e nos ensinou: sejamos misericordiosos como o Pai é misericordioso. Deus não nos trata segundo nossas faltas, mas ama a todas as pessoas, indistintamente, com amor eterno e as cumula com a abundância de seus bens. Se vivermos segundo esse critério, seremos filhos do Altíssimo e será a nossa recompensa nos céus.
          A base de todo discipulado de Jesus é o amor ao próximo e em particular aos que nos perseguem. Isso não é simples como parece. Mas o convite para nós, neste domingo, é que nos esforcemos para amar, sem nenhum fingimento ou hipocrisia, também aqueles que nos judiam, nos difamam, nos crucificam com os pregos da língua felina e tantas vezes mentirosa. Eis o grande desafio para cada de um nós!
          Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, meu abraço,
Pe. Gilberto Kasper
Ler: 1 Sm 26,2.7-9.12-13.22-23; Sl 102(103); 1 Cor 15,45-49 e Lc 6,27-38.
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Fevereiro de 2019, pp. 84-88 e Roteiros Homiléticos da CNBB do Tempo Comum (Fevereiro de 2019), pp. 25-27.

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