quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O NATAL É DE JESUS - PADRE GILBERTO KASPER

O NATAL É DE JESUS, NÓS SOMOS OS CONVIDADOS!

Pe. Gilberto Kasper

Mestre em Teologia Moral, Licenciado em Filosofia e Pedagogia, Especialista em Bioética, Ética e Cidadania, Professor Universitário, Docente e Coordenador da Teologia na Faculdade de Ribeirão Preto da UNIVERSIDADE BRASIL/UNIESP S.A., Assistente Eclesiástico do Centro do Professorado Católico, Assessor da Pastoral da Comunicação e Reitor da Igreja Santo Antônio, Pão dos Pobres da Arquidiocese de Ribeirão Preto e Jornalista.

O Natal deste ano vem revestido da graça do Ano Nacional dos Leigos. Porém, ainda ressoa em nossos corações o Ano Nacional Mariano, que nos enriqueceu com o exemplo daquela que foi chamada a “Estrela da Evangelização” pelo Beato Papa Paulo VI. Se O Natal é de Jesus, nós somos os Convidados, que presente levar ao aniversariante seja à manjedoura decantada na Noite Feliz, seja ao altar celebrando-O na Eucaristia? O que Jesus espera de nós, Clérigos e Leigos neste Natal? Aprendamos daquela que se tornou o porta-joias do Salvador do mundo!
É na figura e na disponibilidade de Maria que aprendemos a ser porta-joias de Jesus, engravidando-nos d'Ele. Deus nos dribla em todo o seu projeto salvífico: escolhe o seio de uma insignificante e desconhecida pela sociedade elitizada de sua época, Menina, de uma também desinteressante cidadezinha, chamada Nazaré. Uma leiga sem grande destaque ou prestígio entre as famílias de seu tempo. Era economicamente bem pobre!
Ainda hoje, quando a filha da vizinha engravida antes do casamento, nossa cultura ocidental critica e fala mal. Infelizmente somos ainda, uma sociedade hipócrita e medíocre. Posso muito bem imaginar a situação de Maria em Nazaré: noiva de José, grávida do Espírito Santo; era realmente demais a ser compreendido assim, num toque de mágica, até mesmo porque Deus não é mágico. Qualquer moça no lugar de Maria ficaria esperando as reverências da mulher mais importante do mundo: afinal seria a mãe do próprio Deus! Mas não foi isso que nos quis ensinar a História da Salvação.
Maria sabendo através do Anjo Gabriel, que da esterilidade e da velhice nasceria uma vida: a de João Batista dirigiu-se apressadamente às montanhas de Judá, para servir sua prima Isabel, grávida de seis meses. O encontro dessas duas mulheres e a saudação das duas crianças, ainda no útero de cada mãe, simplesmente me encantam e incentivam-me a querer ser o porta-joias de Jesus! Este encontro e a saudação de ambas nos garantem valores que brotam da pequenez e do insignificante aos olhos da sociedade. Mostram-nos que é a solidariedade verdadeira, que leva alegria e esperança aos preferidos de Deus, os mais pobrezinhos de ontem e de hoje.
Uma família muito cristã costumava convidar o Pároco para o almoço de Natal. Após um desses almoços, a dona da casa percebeu que faltava um garfo de prata, utilizado somente para almoços festivos, como o do Natal. Logo pensou: “O Padre levou nosso garfo”. No ano seguinte, não se contendo, a mesma senhora perguntou espontaneamente ao Pároco: “Padre, o senhor roubou um de nossos garfos no almoço do Natal no ano passado”? O padre respondeu: “Não minha cara senhora, eu deixei o garfo dentro da Bíblia, bem na página do Evangelho que narra o nascimento de Jesus”.
          Que este Natal no Ano Nacional dos Leigos nos incentive à Palavra Orante da Sagrada Escritura, para vivermos mais intimamente com o próprio Cristo que se convida a estar conosco todos os dias do novo ano que desponta! E assim, com Ele entre nós, seremos “sal da terra e luz do mundo” (cf. Mt 5,13-14).













QUARTO DOMINGO DO ADVENTO - PADRE GILBERTO KASPER

COMENTANDO A PALAVRA DE DEUS
 QUARTO DOMINGO DO ADVENTO



Meus queridos Amigos e Irmãos na Fé!
“Céus, deixai cair o orvalho;
nuvens, chovei o justo;
abra-se a terra e brote o Salvador!”(Is 45,8).

            Já no Quarto Domingo do Advento e às portas da Solenidade do Natal do Senhor, a liturgia dirige o nosso olhar para o anúncio do Anjo feito a Maria e para sua própria pessoa enquanto imagem da Igreja que aguarda a chegada do Natal. Para sublinhar em que ponto a celebração nos situa, recordemos nosso trajeto realizado: nos dois primeiros domingos do Advento escatológico, nossa expectativa foi reacendida em vista das realidades futuras e dos últimos tempos que Jesus inaugurou a partir de sua vinda histórica e sua glorificação. A acolhida do anúncio da Palavra de Deus nos preparou na direção desse evento derradeiro, que o povo da Primeira Aliança viu realizar na Igreja, como já participante das realidades futuras.
No terceiro domingo do Advento, com o olhar mais voltado para a vinda histórica, a Igreja se alegrou, como que antecipando aquilo a que se prepara e no canto de Maria, proclamou as maravilhas que Deus realizou por seu povo e continua a realizar por meio de Jesus e de seu Espírito. Nesse mesmo período iniciamos a novena do Natal do Senhor, intensificando a nossa espera e vigilância, enchendo nossas lâmpadas com o azeite da oração, adentrando no festim do noivo que veio ao nosso encontro. Cada domingo, como luz a iluminar nossos passos, nos conduziu a este momento, onde contemplamos a Virgem como a um espelho, onde podemos ver a imagem daquilo que a Igreja é chamada a ser: casa preparada por Deus, arca da Aliança e receptáculo do Mistério outrora escondido e que Deus, por imensa bondade, revelou a todos.
Graças ao sim de Maria, Deus veio habitar entre nós na pessoa de Jesus. Todos devemos estar disponíveis para a ação do Espírito de Deus, acolhendo no coração o mistério da encarnação. A páscoa de Jesus se manifesta nas pessoas e grupos que se dispõem a receber a boa-nova trazida pelo anjo Gabriel.
De coração alegre e agradecido, acolhamos a Palavra de Deus. Ela nos mostra o plano divino de salvação e em Maria realiza a prometida encarnação do Salvador.
Deus quer caminhar com seu povo, e não ficar trancado no templo. Maria aceita a proposta de ser a mãe de Jesus. O mistério de Deus se revela à humanidade em Jesus encarnado.
Respondendo nosso amém à oração eucarística, aceitamos com gratidão o plano de Deus; acolhendo a palavra feita carne, deixamo-nos transformar, pelo Espírito, em novas criaturas.
A celebração do quarto domingo, como último Domingo do Advento histórico, na mesma dinâmica do terceiro domingo, antecipa a realidade festiva que se desabrocha no Natal. Nesta celebração a Igreja é a receptora do anúncio do Anjo, participando da encarnação do Verbo ao acolher a Palavra proclamada, exercendo seu discipulado na escuta e na obediência e deixando realizar em seu seio a salvação esperada. Contudo, a chave messiânica da compreensão dos textos nos convida a perceber que a salvação principiou neste mistério e se completa na páscoa do Senhor, para a qual rumamos. Nós, que também já desfrutamos da vida divina em Cristo pela participação em sua páscoa, não devemos fazer o seu caminho de encontro com as realidades carentes de vida nova? Prolongar o anúncio do Anjo ao mundo, descobrindo a semente do Verbo nas realidades mais sofridas, não seria nossa resposta obediente, discipular e atenta à vontade do Pai? O Natal do Senhor se orienta e se aprofunda também na páscoa do mundo que anseia por vida nova e por salvação.
O mistério da encarnação, iniciando hoje com a anunciação do Anjo à Virgem, é aprofundado pelo mistério da cruz que nos leva à ressurreição. Segundo uma mensagem de Natal, “Para quem consciência ainda tem, o Natal  é dura cruz na casa de alguém”, poderemos nos encaminhar mais ligeiramente para o acontecimento natalino, se estivermos mais atentos e solícitos aos sofrimentos e cruzes que carregam os outros!
Com a Igreja, portanto, somos convidados a sentirmo-nos também grávidos do Senhor! Mais ainda: somos conclamados a “dar à luz ao Cristo não mais Menino, mas Ressuscitado”.  Por isso o Natal do Senhor precisa ser motivado por nossa missionariedade e discipulado a exemplo de Maria. Sejamos o porta-jóias de Jesus, anunciando-O com a própria vida ao mundo que nem sempre O reconhece em nossas incoerências. Quantas aparências, falsidades, mentiras, fingimentos e invejas atrapalham um verdadeiro Natal que não aborte Jesus, por conta do consumismo, hedonismo e individualismo! Sejamos livres para celebrarmos um Natal diferente, como nunca antes em nossa vida pessoal, comunitária e social!
Desejando-lhes muitas bênçãos, com ternura e gratidão, o abraço amigo,

Pe. Gilberto Kasper
(Ler: 2Sm 7,1-5.8-12.14.16; Sl 88(89); Rm 16,25-27 e Lc 1,26-38).
Fontes: Liturgia Diária da Paulus de Dezembro de 2017, pp. 76-79 e Roteiros Homiléticos da CNBB para o Tempo do Advento (Dezembro de 2017), pp. 17-20.

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DAR O PRIMEIRO PASSO - APOLONIO CARVALHO



Dar hoje o primeiro “passo” em direção ao próximo.

O amor sempre toma a iniciativa e dá o primeiro passo em direção ao outro. Às vezes, nas dificuldades de relacionamento, o problema está em mim mesmo e não nos outros. Coloco toda a culpa nos outros, quando na verdade basta um passo de minha parte, para que o problema desapareça. Quando experimento dar o primeiro passo, vejo ruir todas as barreiras. Não tenho tempo para os outros somente quando estou muito ocupado comigo mesmo. Dessa forma, perco muitas oportunidades de fazer algo de bom por alguém. Quando olho muito para o passado ou para o futuro, não vejo o próximo que está ao meu lado no momento presente. Dar o primeiro passo guiado pelo amor me faz viver a vida sem tropeços nos relacionamentos.

Apolonio Carvalho Nascimento

Bom dia

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

SAIR DO PRÓPRIO EU - APOLONIO CARVALHO


20/12/17

Sair do próprio eu.

Com a desculpa da privacidade muitas vezes criamos à nossa volta uma trincheira onde ninguém pode entrar. Claro que todos têm o direito à sua individualidade, mas temos que ter o cuidado de não cair na armadilha do egoísmo que nos escraviza e exclui os outros. A verdadeira liberdade está em libertar-se antes de tudo de si mesmo, de sair de si para ir ao encontro do outro, pois é na relação que encontramos a nossa realização completa, porque fomos criados como dom uns para os outros. Sair da zona de conforto, da nossa trincheira, destruir as próprias fronteiras e descobrir a riqueza do "nós" que substitui o pobre e solitário "eu".

Apolonio Carvalho Nascimento

Bom dia

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

SER GENEROSOS - APOLONIO CARVALHO



19/12/17: Ser generosos.

Ser generoso requer desapego de si mesmo, das coisas materiais e também das pessoas. Porque a verdadeira generosidade é fruto da verdadeira caridade. Isso significa que, se não houver amor no que fazemos, isso de nada valerá: nem mesmo dar tudo aos pobres, como afirma o apóstolo Paulo. Devo desapegar-me de mim mesmo, porque a generosidade nada tem de egoísta. Devo desapegar-me das coisas, porque a generosidade gera uma verdadeira comunhão. Devo enfim desapegar-me das pessoas, porque a generosidade motivada pelo amor puro não faz distinções.

Apolonio Carvalho 



segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

PREVER AS NECESSIDADES DO OUTRO - APOLONIO CARVALHO



18/12/17‬: Prever as necessidades do outro.

Se levarmos a sério o mandamento "Amar o próximo como a si mesmo", estaremos atentos às necessidades de quem passa ao nosso lado. É verdade que somos capazes de suprir às nossas necessidades materiais, mas se quisermos suprir também às espirituais, não o conseguiremos somente com ritos e orações. Devemos antes amar o irmão. Ele é o caminho mais curto para se chegar a Deus. Depois disso, o ritual e as orações adquirem um novo valor. Amemos antes ao irmão que vemos, e assim amaremos a Deus que não vemos. Como nos sugere João em sua primeira carta. (Cf. 1Jo 4,20) E o verdadeiro amor nos fará prever as necessidades do outro, ainda antes que ele as manifeste.

Apolonio Carvalho

Bom dia de férias!!!