quinta-feira, 9 de abril de 2026

MISERICÓRDIA! - Pe. Gilberto Kasper Teólogo

 

  MISERICÓRDIA!

 

 

 

 

 Ser misericordiosos como o Pai é um desafio e ao mesmo tempo é nossa vocação, pois fomos criados para ser “imagem e semelhança de Deus”. Celebramos no último Domingo, o Segundo da Páscoa, que encerrou a Oitava da Páscoa, O Domingo da Divina Misericórdia!

 

                        A Misericórdia é um sentimento nobre, suscita compaixão e perdão; lembra a nossa miséria (miseri) e o coração (cordis) bondoso de Deus. Contudo, no pensamento hebraico, misericórdia também significa aquele sentimento que tem origem nas entranhas maternas (rahamin), semelhante àquele amor do pai que acolhe ao filho pecador e tem carinho com o filho mais velho que não perdoa o irmão. Ser misericordiosos como o Pai é também viver a fidelidade ao seu amor quando amamos e nos preocupamos com nossos irmãos.

 

                        Ser misericordiosos como o Pai num mundo violento e intolerante é um desafio que nos oferece a chance de apagar as chamas de violência e desrespeito que a vida e dignidade humanas têm sofrido ultimamente: fanatismo, terrorismo, discriminação, intolerância são sintomas de uma sociedade sem inteligência que não sabe conviver com o diferente e com quem tem opiniões diferentes das que a mídia apresenta. Ser misericordiosos significa apresentar as condições para um diálogo franco e fraterno apontando soluções mediadas pela compreensão e por uma visão abrangente do mundo e da pessoa humana.

 

Misericórdia não gera resignação, apatia, desmotivação. Ao contrário, suscita esperança num modo de agir que não alimenta violência. A misericórdia alimenta o sentimento da bondade, da nova oportunidade ao passo que a violência mata as possíveis soluções para uma convivência pacífica. Misericórdia é o sentimento que cresce no coração dos que têm certeza que o outro é uma pessoa que merece outra chance, que precisa ser ajudada a se libertar das próprias escravidões e sentir-se novamente amparada por aquele sentimento amoroso que o pai dedicou ao filho mais novo que errou muito longe de casa. (Cf. Lc 15).

 

Ser misericordiosos não é o mesmo que ficar sentados de braços cruzados e esperar a banda passar, mas trabalhar em favor do bem, da verdade, da justiça e da fraternidade. Ser misericordiosos é também gritar em defesa da vida, é desmascarar as mentiras travestidas em propagandas enganosas que desrespeitam o direito do povo ser religioso e ter suas manifestações de fé; é também orientar para o bem os que andam iludidos pelo mal.

 

Ser misericordiosos é colaborar com a paz e torná-la realidade no meio onde vivemos; é praticar a caridade não por meio de discursos e sim pela atitude não discriminatória nem racista; é também entender Jesus Cristo quando diz “quero a misericórdia, não o sacrifício” (Cf. Mt 9,13).

 

Que Jesus Misericordioso nos ampare nesse tempo de tantos desencontros, tornando-nos pessoas melhores hoje do que fomos ontem. Saibamos aprender a amar um amor verdadeiro a partir das “surras” que levamos aqui e acolá. Aprendamos a valorizar a vida a partir de pequenos gestos de solidariedade, que temperados pelo amor, nos tornarão ainda mais Anjos uns dos outros!

 

Nesta quarta-feira, dia 15 de abril inicia-se da 62ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil – a CNBB. Rezemos por nossos Bispos, especialmente, os 373 que se encontram reunidos no Santuário Nacional de Aparecida. Que se deixem conduzir pelo Espírito Santo e acariciar por Nossa Senhora Aparecida, Mãe, Rainha e Padroeira do Brasil!

 

Pe. Gilberto Kasper

          Teólogo

 

 

 

 

 

Beata Lindalva Justo de Oliveira, brasileira, martirizada aos 40 anos - 09 de abril

 

Beata Lindalva Justo de Oliveira, brasileira, martirizada aos 40 anos

Beata lindalva justo de oliveira brasileira martirizada aos 40 anos

Origem
Nascida em 20 de outubro de 1953, no povoado Sítio da Areia, no Rio Grande do 

Norte, no município de Açu. Lindalva foi a sexta filha de uma família formada por 

14 irmãos e, ainda jovem, recebeu dos pais os ensinamentos da doutrina e da fé 

cristã. Com o pai, João Justo da Fé, Lindalva estudava as Sagradas Escrituras e 

participava da Santa Missa. Com a mãe, Maria Lúcia da Fé, aprendeu a cuidar de

 crianças, ajudar os pobres e realizar as tarefas da casa, sem deixar de lado os 

estudos. Lindalva foi batizada em 7 de janeiro de 1954 e recebeu a Primeira

 Eucaristia aos 12 anos.

Juventude
Ao finalizar o Ensino Fundamental, Lindalva trabalhou como babá e, em 1971, 

mudou-se para Natal, no Rio Grande do Norte, para morar com a família de um 

de seus irmãos. Na adolescência, Lindalva participava de atividades na Igreja, 

mas ainda não havia decidido pela Vida Religiosa, que foi despertada quando ela 

ainda morava em Natal, por meio do convite de uma amiga chamada Conceição.

 “A primeira apresentação dela às Filhas da Caridade aconteceu em um domingo 

pela manhã, quando ela foi apresentada à Irmã Djanira. Ela passou a ficar muito 

entusiasmada em participar dos encontros, passava lá em casa e íamos juntas 

para a Missa, depois, íamos visitar o abrigo Jovino Barreto”, disse sua amiga.

Vida religiosa
Irmã Lindalva foi admitida à Congregação no dia 16 de julho de 1989, em uma 

Missa celebrada por Dom Hélder Câmara. Um mês depois, ela escreveu uma carta

 para a amiga Conceição com as seguintes palavras: “Eu estou muito feliz, é como

 se eu tivesse sempre morado aqui; O meu destino está nas mãos de Deus, mas 

desejo de todo coração servir sempre com humildade, no amor de Cristo”. Após

 concluir a segunda etapa do postulado, ingressou no noviciado. A conclusão do 

Noviciado foi em 26 de janeiro de 1991.

Beata Lindalva Justo de Oliveira e o Movimento Voluntárias

 da Caridade

Missão
Como de costume, ao término deste período, as Irmãs são enviadas para missão

: Irmã Lindalva foi enviada para o abrigo Dom Pedro II, em Salvador, na Bahia, onde

 assumiu o ofício de coordenadora do pavilhão de idosos. No Dom Pedro II, a Irmã

 cuidava dos idosos com muito amor, dedicação e alegria, sempre cantando e

 rezando o Terço com eles. Suas ações de caridade não se restringiam apenas ao 

abrigo, ela também participou do Movimento Voluntárias da Caridade, do núcleo da 

Paróquia Nossa Senhora da Boa Viagem, onde visitava idosos e doentes nas periferias. 

Uma resposta ao assédio
Em janeiro de 1993, Augusto da Silva Peixoto começou a receber ajuda alimentícia 

onde a irmã trabalhava e logo apaixonou-se. Ela sempre deixou claro que não 

poderia corresponder aos sentimentos dele. Mesmo assim, os assédios 

prosseguiram. “Prefiro que meu sangue se derrame, do que ir embora”, respondeu

 Irmã Lindalva, quando lhe perguntaram por que não deixava o abrigo.  A Irmã

 procurou a diretora do setor social e pediu que chamasse atenção do homem, 

mas, sem contar sobre suas indiretas indecentes, apenas sobre seus comportamentos

 inadequados em relação às regras do abrigo, acreditando que isso seria suficiente 

para fazê-lo parar. Mas, ao contrário do que era esperado, só fez aumentar o 

ressentimento dele, por não ser correspondido. 

Martírio
O martírio aconteceu no dia 9 de abril de 1993. Era Sexta-feira Santa, e a Irmã havia 

participado da Via-Sacra, que teve início às 4h30. Em seguida, voltou ao abrigo para 

servir café aos idosos. Quando estava atrás do balcão onde ficavam os alimentos, 

foi surpreendida com um toque nas costas. Ao virar, recebeu uma facada mortal na 

clavícula esquerda. Mesmo caída, continuou tendo o seu corpo perfurado por 

Augusto. Foram 44 perfurações. O assassino permaneceu no local esperando que

 a polícia chegasse e, em depoimento, declarou que havia cometido o crime porque

 a Irmã Lindalva nunca cedeu aos seus desejos. 

Processo de Beatificação e Devoção

Beatificação
No dia 2 de dezembro de 2007, a Irmã Lindalva foi beatificada em cerimônia 

presidida pelo então Arcebispo de Salvador, Cardeal Dom Geraldo Majella Agnelo —

 atualmente Arcebispo Emérito —, no estádio do Barradão. Mais de 25 mil fiéis 

participaram deste importante momento, além dos irmãos e da mãe da

 bem-aventurada, na época com 85 anos de vida. Por conta do martírio, não foi 

necessária a comprovação dos três milagres para que se tornasse beata, por isso, 

o processo foi considerado um dos mais rápidos da história. Mas, para a canonização,

 é necessária a comprovação de um milagre que tenha acontecido após a 

beatificação. No caso da beata Lindalva, já existe um episódio sendo analisado

 pelo Vaticano. O dia da Beata Lindalva é comemorado em 7 de janeiro, data em

 que foi batizada.

Oração para a canonização
“Pai Santo, o vosso amor seduziu o coração de Irmã Lindalva que se deixou guiar

 pelo dever de cuidar do seu pai e, em seguida, pela obediência da fé, escolher a 

Vida Consagrada. No Carisma Vicentino, dedicação plena aos mais abandonados,

 sua vida ganhou, também na Sexta-feira Santa, a coroa do martírio. Seu hábito

azul de Filha da Caridade, tingido de Sangue, tornou-se Linda Alva no Sangue do 

Cordeiro. Concedei-nos, vos pedimos, a graça de sua beatificação afim de que ela, 

na Igreja, inspire a oferta de muitos e seja a testemunha perene da límpida aurora 

da Páscoa de Jesus, o Filho Amado, que convosco vive e reina na unidade do Espírito

Santo. Amém.”

Minha oração
“À nossa Beata, pedimos o dom da castidade e da retidão de coração. Fazei com

 que amemos a Deus mais que tudo nessa vida e sejamos capazes de entregar 

toda nossa vida a Ele, por Cristo Nosso Senhor. Amém!”

Beata Lindalva Justo de Oliveira, rogai por nós!